27 maio, 2010

# Dois Ponto Um.

Chego aos 21 sem me dar conta. Foram tantos assim? Não percebi. Vivi sem grandes pretensões. 21. Um a um, em uma contagem de tempo inconsciente, que não deu muito tempo pra mim. Marcas tenho várias, na pele e por ai. Variáveis também. Fixo, nem minha residência. Guiada por pés, asas e sonhos, descobri andarilho, norte e sul. Indo sempre sem chegar. Chegando sempre a lugar algum. Indo, voltando, ficando, despedindo. 21 primaveras. Não, não foram. Vivi verões intensos (tão intensos que nem eu mesma imaginei viver um dia), outonos amenos e invernos que gelaram de dentro pra fora e se descongelaram num sorriso de lágrimas. 21. um monte de dias empilhados que viraram meses, anos, décadas. Talvez até milênios e infinitos. Quase. O que eu fiz desses 21 anos talvez tenho sido menos do que eles fizeram de mim. Chego aos 21 com gosto de saudade, sem saber-me velha ou nova, mas na estrada. Abrindo janelas, resgatando sonhos, enterrando espinhos e esperando flores. Cabelos mais curtos, orelhas mais profundas, quilos a menos ou a mais. Estou envelhecendo e meus pés pararam de crescer. Ainda não descobri o ritmo, mas me arrisco a todas as danças. Continuo a mesma, mesmo que diferente. Estou envelhecendo, alternando primaveras, verões, invernos, outonos... Vivendo, assim, sem grandes pretensões e já sem pressa de chegar. (26.05.2010)

2 comentários:

  1. lendo esse post, eu lembrei de uma música de los, .. o vencedor.. "eu que já não sou assim, muito de ganhar, junto as mãos ao meu redor, faço o melhor que sou capaz, só pra viver em paz..."

    não sei porque, mas lembrei dela.
    parabééns mais uma vez Juba. uns beijos :*

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