27 outubro, 2011

madrugada, all dark ¬¬


A tristeza me invadiu, dos meus olhos percorrem lágrimas que parecem não ter fim, e seu percurso é sempre familiar. Sinto-me como se fosse apenas mais um objeto da casa, que não respira, não ouve, e também nada sente, não vive.
Um objeto desnudo, sujo, sem valor nenhum a qual as pessoas passam despercebidas e sequer vêem a minha tristeza, a qual eu atrapalho-lhes o caminho.

Ninguém liga, ninguém sequer enxerga, mas essa dor me sufoca, esse choro me afoga em magoas profundas, sofro e mais e mais me afundo no silencio da tristeza, onde faz parte das minhas manhãs todos os dias.
Não sinto fome, apenas como para continuar respirando se é que alguma coisa isso me atribui, nada encontro que possa sanar-me a dor, a dor de tudo que com os passar dos dias mais sinto me apedrejar.
Parece-me que vivo para continuar machucando-me, dia após dia, minuto após minuto e assim toda vida...

A solidão dói, dói bastante, e a angústia corrói pouco á pouco o corpo que está engordando de tristeza... No rosto minha profunda palidez, sou como um fantasma.
Vago por essa casa escura arrastando-me, penso em todas as pessoas que amei e que perdi quanto mais às amava, mais as perdia rapidamente para a distância, morte, adeus ou para o esquecimento.
Cada um tem sua vida, ninguém se lembra desse coração solitário e doente que está morrendo aos poucos, que amou um dia, e hoje só sofre, e não crê mais nessa fantasia chamada “amor”, porque quanto mais achava amar mais me decepcionava.

A solidão machuca e torna-se doença. Sinto-me doente, debilitada, frágil como se aos poucos sentisse minha vida se aproximasse do fim, sinto que cada gripe ou um simples mal estar pode me degenerar por inteira, meu corpo não possui armas de defesa estou entrega aos que padecem como um pássaro sem ninho, doente, caído, morrendo...
Quem falar que nunca imaginou sua morte está mentindo, e eu a vejo a todo segundo que sinto meu ar ficar pouco e fino... Se alguém comparecer ao meu funeral poderá dizer: ''ela estava tão triste estes últimos dias'', ''morreu sozinha'' e suponho que alguém poderá pensar ''ela me amava!''

Mas e se eu morrer amanhã? Não tenho muito que deixar em vida, dinheiro não possuo uma moeda, talvez alguns poucos móveis de meu quarto, algumas roupas, alguns livros aos quais tem sido meus únicos e verdadeiros companheiros, companheiros de solidão... Talvez também alguns textos que escrevi poderão ser facilmente apagados do HD de meu computador, ou algum livro que tenha começado a escrever e não terminei, ou um diário que possa ser queimado, mas esse, esse diário é minha preciosidade e tenho certeza que ele deveria ser entregue a pessoa a qual as historias que nele tem pertencem: ao meu grande eterno amor... Tenho também minha almofada que me acompanhou “muito” tempo, sendo a mais fiel amiga e companheira que já tive em vida qual presenciou meus esboços de sorrisos e respeitou minhas lágrimas com seu silêncio sábio.
Triste sensação a de que tudo pode acabar amanhã...

A depressão é uma doença muito grave, que mata a quem ela se penetra aos poucos, um pouquinho por vez e sabe fazer da pior forma, ela domina a mente, o coração e o corpo.
Não sei como consigo escrever ainda, acho que é uma forma de desabafo, de saber que alguém ao longe pode lê-las um dia, quando talvez eu não exista mais.
Pouco saio à rua, se saio só por obrigações e tenho que disfarçar com forças que já não possuo. Sempre com um livro na bolsa, ou ouvindo músicas das quais já estou cansada, farta.
Uma sensação de cansaço me toma todos os dias, deito na cama e só quero dormir (mesmo que eu não consiga), pegar no sono flutuar em seu mundo e não mais acordar. Às vezes tenho insônia, vou para um canto donde a luz da lua bata nesta sala escura e leio, ou escrevo em algum canto escondido para que não me percebam chorando como faço agora.
Sonho há muito tempo com a felicidade que perdi que perdeu o caminho de volta pra mim e se esvai neste universo paralelo em que vivemos.

Vejo que as pessoas são egoístas, e eu sei que também sou, pois gostaria que se importassem comigo, com minha tristeza, que tentasse me ajudar, pois já não possuo forças pra continuar sozinha.
Tenho 22 anos e estou cansada da minha vida há muito tempo, vida? Se chama isso de v-i-d-a? Parece que pago uma divida eterna de erros que cometi ou que deixei de cometer.

Eu queria fazer tantas coisas mais, CASAR ter filhos, ser amada novamente, ter tudo isso com meu amado do lado, estar no parque juntinho vendo o nosso 'filho' correr por entre as árvores, estar o abarcado, ouvindo o coração do outro bater...
Destino maldito, maldito dom da escrita e de meus pensamentos que me rasgam o peito e fazem crescer em mim estes sentimentos absurdos!
Esses dias resolvi ir a igreja e me sentei lá, fiquei paralisada e fiquei pensando comigo mesma quanto tempo deixei isso de lado, fiquei chocada ao perceber que há muito tempo perdi minha fé, minha orações que desde pequena sou ensinada.
Creio que os anjos em outro plano espiritual devem ter observado com tristeza e pesar nos olhos pois nem eles puderam me ajudar.
Acho que se eu sumisse ninguém sentiria minha ausência, pois pareço não ser mais bem vinda aqui, entre os que não se importam com a dor que meus olhos pesados de uma noite mal dormida parecem retratar.

Magoa, é isso que sinto em minhas veias e artérias, não é sangue que por ali corre, é magoa que circula no meu corpo. Esse liquido gelado que paralisa aos poucos o pulsar de meu coração. Mãos tremulas com dedos grandes e finos escrevem sem medo sobre esses sentimentos de uma criatura que esta entregando sua vida, desistindo de sobreviver, negando-se de ainda lutar por este amor, pelo amor que outrora era meu, ou nunca foi meu.

Já não tenho mais vontade e nem forças de falar, cada dia é pior e o peito esta apertando cada vez mais, diminuindo o espaço que ocupa o meu coração, esmagando-o, prensando, acabando por depois matá-lo de vez.

Enquanto nada acontece fico olhando pela janela o céu ensolarado, que para mim não pode estar mais enegrecido, creio que devas chover.. e assim espero com solidão e tristeza no olhar, com a respiração entrecortada a ponto de quase parar.

25 outubro, 2011

você se perdoaria? (u).


- Você me perdoa?

-- Você se perdoaria?

- Não.

-- Então por que eu deveria?

- Porque você é melhor do que eu.

-- Não sei se posso ser tão melhor assim. Por que você gosta de mim? Se é que você gosta...

- O que te faz pensar que eu não gostaria?

-- Quem gosta cuida. Você só sabe me machucar.

- Eu sou um idiota.

-- Eu sei disso.

- Você quer saber por que eu gosto de você? Porque voce é minha unica chance de melhorar, porque eu sinto que sou alguém melhor quando estou com você.

-- Você ao menos me conhece? Sabe minha música favorita? Sabe meu filme favorito? Minha comida favorita? Você sabe alguma coisa sobre mim?

- Não...

-- Como você gosta de alguém que não conhece?

- Eu posso não saber sua música, filme, ou comida favoritos, mas eu sei como você adora olhar pro céu, e como você fica encantado com a lua. Sei que você sorri meio timido, meio bobo, porque odeia o jeito escandaloso que você abre a boca, e isso torna o seu sorriso a coisa mais meiga que eu já vi *-*. Eu sei como você finje não sentir ciumes, só pra ver minha atitude. Sei como você diz tudo no olhar, como você adora jogar um game no final da tarde, mesmo que isso te pareça infantil, e sei que odeia ser contrariado. Eu sei que você é romântico, mas "odeia" os romances infantis da TV. Sei que ouve todas as palavras do mundo e se emociona, Enfim, eu não me preocupo em saber coisas banais sobre você, eu me preocupo em enxergar coisas nas quais ninguém pensa em ver. Eu te amo, pelas pequenas coisas que existem em você.

21 outubro, 2011

O Seu tem o laço mais bonito ♥




Vivia num tempo sem leis vigorantes.
Respiravam numa época onde zepelins eram helicópteros.
Jurava que minha faca nunca perderia o corte. Costumava ferir instantaneamente e agora nem me lembro quantas vezes tenho tentado lhe tirar uma única gota de sangue.
Minha sabedoria tinha um arquivo inconsciente sobre você. Autenticado em duas vias, esperando pela rubrica dos seus lábios inteligentes. Toda a burocracia que instalei me agradava gratuitamente. Mas agora eu te vejo jogando papéis importantes ao vento. Todas as suas reticências me tiraram do fã-clube do ponto final.
Eu não sabia do tamanho da sua importância. Ou pelo menos ignorava o fato.
“Eu não imaginava que estar no vagão da sua montanha-russa fosse exatamente tudo o que precisava pra me sentir feliz.” Escandalosamente feliz. Invejadamente feliz. Uma felicidade tão exagerada que poderia facilmente ser o oitavo pecado capital. (you know)

Eu lhe atiro flechas num olhar disfarçado.
As pegadas sumiram, meus passos não conhecem um caminho seguro na sua direção. Talvez porque sem riscos, não existam glória, nem recompensa.
As páginas de frases feitas estão ilegíveis. Nada que conheço parece funcionar, nenhuma medalha oferece algum respeito ou sabedoria.

E na outrora de sentimentos desconhecidos, os meus soldados procuravam por algo parecido.
E quantos ao todo eu poderia comandar?
Teria a ilusão como guarda-costas, e ego como assassino e o amor ficaria à paisana... Afinal, é mais cômodo e menos perigoso.

Desse quebra-cabeça eu só ignoro a paciência. A infinita cautela.
Pra que apenas me molhar quando posso ser mais um habitante de Atlântida?

Não tão distante do seu copo de vinho favorito, eu acordo pra lhe fazer dormir.
De todos os presentes que ganhei, o seu tem o laço mais bonito.
Eu tenho medo de abri-lo por completo e perder a “eterna surpresa” que sinto por você.

Se eu precisasse de uma única gota sua, esperaria o dilúvio todo.

13 outubro, 2011

Errei ao colocar sentimento. (u)




Muito difícil conviver com uma pessoa que tem sonhos diferentes dos seus. Você acaba descobrindo que só amor não é suficiente. Porque por mais que você ame, você não pode amar outra pessoa mais do que você. Você descobre que abriu mão dos seus sonhos, quando na realidade a pessoa que você ama, não abre mão de nenhum dos sonhos dela. E você descobre o que? Que a pessoa que você ama, é inteligente, e você é o que? Uma burra que não aprendeu com as lições passadas.
Sabe não é que eu não seja companheira, não é que eu seja indiferente. Mas é porque dói ver os teus sonhos te afastarem de mim. E ouvi muitos conselhos dizendo : Quem ama tem que acompanhar, quem ama tem que esperar, quem ama tem que compartilhar os mesmos sonhos. blablabla
Mas quem vive sabe o quanto é difícil isso. Existe um abismo que nos separa quando estamos perto.
Sempre fui uma pessoa bem racional. Mas chega um momento que aparece uma pessoa pra derrubar todas as muralhas, barreiras, castelos... que você construiu pra não sofrer mais. E aí quando a invasão foi feita, é tarde demais. Principalmente se a invasão foi permitida por você.
Sabe, existem peças que nunca podem ser mexidas. Se mexer... desmorona tudo.
Ou eu entendo e aceito os sonhos dele, ou então..

Nem sempre quando vejo um casal de mãos dadas, caminhando, imagino que eles sejam felizes. Imagino que eles estão querendo achar um caminho pra poder caminharem juntos. E o mais triste,é ter que soltar a mão com a outra segurando forte.
"Fiz tudo certo, errei ao colocar sentimento"

17 setembro, 2011

Eu (...)


Ela não era complexa em demasia.
Um diamante lhe seria encantador, mas o ouro já valeria a pena.
O céu nunca foi o limite, apenas um trampolim para vôos mais arriscados.

E daí que seus olhos não sabiam ficar em silêncio?
Sempre a antecipavam. Sempre a levavam para a última página do seu livro misterioso.
E mesmo com eles fechados, seus gestos não sabiam esconder o que seu antigo órgão cardiovascular desejava.

Era uma estudiosa, uma amante das lágrimas salgadas que o amor lhe fazia saborear sempre que respirava.
Já habitou castelos sem ser convidada, replantou rosas arrancadas, assassinou seus melhores sentimentos para a felicidade de qualquer outro ser humano.

Parece que por mais que as datas não se repitam, ela continua andando na mesma velocidade que os sonhos levam para nascer e morrer.
Como dizem... ‘Do berço à sepultura’.

Era estranho como seu andar não deixava marcas iminentes em qualquer terreno.
As suas pegadas sempre foram emocionais. Ninguém poderia simplesmente desejar enxergar seus passos.
Era preciso alguma sabedoria, algum valor incrivelmente peculiar que prendesse seu olhar por mais de 5 segundos.

Ela descobriu que as noites não falavam sua língua.
Ela sabia que as primeiras horas de uma segunda-feira qualquer eram a melhor maneira de experimentar o seu ápice.

Das mãos que segurou, nunca duvidou da verdade.

Preferia a chuva.
Afinal, o sol queima os vampiros, e ela poderia amá-los um dia desses.

Sempre enxergava detalhes ocultos e os guardava para si.
Derrubava dos bolsos elogios intermináveis que as vezes a envergonhavam.
Sinceros demais?
Precisos demais?

Não. Apenas adequados e milimetricamente escolhidos.

Nem sempre nas horas corretas. Era comum unir o encanto com o desastre.
Ela sabia que a capa lhe dava o ar de heróina, mas tinha plena convicção de que precisava ser salva.
De si mesmo, das falsas histórias, dos lençóis com perfume demais.

A vida toda, tinha a própria imagem de companheira ideal.
Ou pelo menos, gostava de pensar assim.

Era tudo doce e lento demais. Talvez isso não fizesse seu coração entrar em forma.
Nunca estaria pronta para uma verdadeira tempestade, quando acontecesse.

‘Quantas histórias dentro de uma mesma música’, ela pensava.
E guardou sua gaveta de amores exterminados.
Ela não sabia como escondê-lo de si mesmo.
Talvez por medo de não saber rir de como era idiota.
Medo de não saber mais interpretar os papéis que lhe eram indicados pela vida.

Ninguém parou pra pensar que nas nossas vidas a maioria dos dias são rigorosamente iguais e sem surpresas maiores que festas surpresas?

Não. Ninguém. E nem ela.

Ela sabia que o amor não passava de um tapete mágico que sobrevoava as misérias humanas.

13 setembro, 2011

O amor e a menina.


Queria escrever mas nada saía. As palavras não obedeciam aos comandos e o coração continuava pesado com tudo o que sentia sozinho. Queria gritar mas estava rouca. Havia gritado amores e paixões aos quatro ventos e agora a voz não mais existia. Havia tentado amar de um jeito certo e acabara sobrando no final: com um adeus nunca dito, um amor nunca acabado e uma sede nunca saciada. A menina tinha sede de amor. Não conseguia entender como seu coração era capaz de desejar tanto algo que o dilacerava. Tentara esquecer. Tentara não pensar. Tentara fazer de conta que não sentia. Mas o amor não a deixava. Em todas as estradas, o amor parecia ser o local para onde ela sempre era conduzida. Em todas as paradas, todos os estágios, no frio da montanha ou no calor de uma praia: era o amor que sempre a encontrava. Quando chorava ou sorria, o amor. Quando escrevia, gritava, cantava, o amor. Era uma menina com um amor que não a largava. Um amor talvez não mais correspondido, mas crescente de forma louca, desobediente e avassaladora. Um amor agora já sem sentido, quase uma lembrança perdida num bilhete de gaveta pra uns, mas um anúncio enorme num outdoor para ela. Todos os dias lembrava dele. Todos os dias ansiava por ele. Todos os dias sonhava com ele. Com o amor e com ele. Com o dia em que o amor e ele se fundiram e vieram como um foguete invadir o país coração dela. Se agarrava a esperanças, incentivava todas as pequenas fagulhas de esperança que vez ou outra ameaçavam apagar. Se agarrava a palavras, construía pontes, portos e abrigos com elas. Se perdia em pensamentos, desejava que o amor fosse nele tão irresponsável quanto nela e que fizesse nascer impulsos que o levassem a largar tudo e saltar os abismos pra chegar até aqui. Até a esquina em que ela e o amor se escondem do mundo. A menina apenas espera. Com os braços abertos que vez em quando ameaçam doer, mas que ainda encontram paredes concretas onde podem se apoiar. A menina com o amor já sofreu demais, já chorou todo choro do mundo, já desejou ser imune à ele. Mas ela aprendeu que ele é maior. E que sempre vence. Ainda que demore, ainda que fique sufocado com tanta pedra, o amor vence. Ela o deixaria vencer enquanto vivesse. Enquanto respirasse, respiraria amor. Enquanto dançasse, dançaria amor. Enquanto escrevesse, sentisse e vivesse, seria amor, amor, amor.

11 setembro, 2011

Amor próprio devia ser vendido na farmácia.


As vezes a gente faz tanta coisa por uma pessoa, seja ela quem for..mãe, pai, avó, namorado, amigos, ... mas é incrível como isso não te dá garantia que eles farão a mesma coisa por você. Uns fazem mais, outros fazem menos, outros fazem ... nada. Na verdade não existe garantia nenhuma que eles se importam, e na boa.. não devíamos fazer drama por conta disso. ( Falo, mas eu sou uma que faço um drama imenso.) mas é porque se a gente pensar.. cada um escolhe a vida que quer e infelizmente não podemos fazer nada, nem mudá-los, nem critticá-los, nem julgá-los, enfim .. NADA.

E mesmo que isso doa, porque ser indiferente também dói. (Aprendi isso, esses dias )
Eu tava dizendo pra mim mesma que eu não tenho capacidade de deixar as coisas como estão, porque estou sempre querendo saber, esclarecer.. e isso me machuca muito. E eu tava dizendo pra mim mesma parar com isso. Porque só quem se machuca sou eu mesma.. dai percebi sozinha que quem deve fazer minhas vontades, me amar e me colocar a frente de tudo sou eu, não os outros, ai vem aquela frase clichê que todo mundo devia refletir : se você não gostar de si mesmo.. quem vai gostar?

Amor próprio devia ser vendido na farmácia.

24 agosto, 2011

não adianta chorar pelo leite derrubado.

Olho pro leite que, acidentalmente, derramei no chão. E só observo. Não há um músculo que se mova um impulso que me mexa e um pensamento coerente. Sou só eu, um copo de leite derramado, o cheiro doce do leite azedo e só. O líquido branco vai escorrendo pela madeira, entranhando-se nos minúsculos buracos. “Isso vai dar merda”, pensei, mas continuei estática, observando o leite ganhar forma, fixar-se em qualquer canto. Eu deveria correr. Buscar um pano, secar a bagunça. Ou seqüestrar um canudo e sugar o leite de volta. Absorver. Isso. Eu deveria absorver tudo de volta, ao invés de ficar feita estátua, vendo o estrago ganhar formas, ganhar forças e marcar o piso pra sempre.

Vi minhas mãos travessas segurar o copo, nem tão cheio, e virar em cima do tablado. Azedou tudo. O tapete, o travesseiro largado num canto, a meia do pé esquerdo, as pelúcias. Tudo azedo. Mas, apesar da insanidade, tento encontrar coerência para aquilo que acabei de fazer. Chutei o copo de leite. Tem leite e tem cacos por todo caminho. E eu deveria me agachar limpar e tornar a limpar. Só observo. O leite escorrendo na madeira, encharcando o tapete puído. E lembro. E penso. E filmo. E repasso o filme na mente. E torno a lembrar, pensar, filmar... E não concluo nada. O leite entranha-se. Os olhos secam. A boca sussurra inacreditável: por que derramei o leite?

22 agosto, 2011

. nós dois ♥



- Que dia é hoje?

-- Três meses e doze dias depois.

- Sério que você conta?

-- Dia sim dia não, para ter algo pelo qual declarar saudade e pensar nostalgicamente enquanto deito a cabeça na janela do ônibus e deixo o pensamento te encontrar.

- Uma espécie de masoquismo?

-- Não, você é a saudade que eu gosto de ter.

- E você a que eu gostaria de nunca mais sentir.

-- Nunca mais sentir devido à minha presença constante ou à sua total indiferença à minha ausência?

- Sinceramente? De qualquer forma que aliviasse meu peito de sentimentos que só prometem e nunca são e me tornasse capaz de, mais uma vez, experimentar o prazer do vôo em vez dessa imobilidade angustiante.

-- E se você pudesse escolher uma dessas formas?

- No amor a gente nunca escolhe.

-- Mas e se pudéssemos?

- Jamais escolheria a sua presença.

-- Por quê?

- Porque nesse mundo em que amor não se escolhe e o que a gente escolhe nunca é, não quero correr o risco de te escolher e não ter. Quero sempre o risco de poder cruzar com você, mais uma vez e sempre, numa dessas esquinas.

-- Já que a gente não escolhe, essa história de amor poderia ser ao menos simples. A gente se cruza numa esquina e nunca mais desfaz o abraço, nunca mais conhece motivos pra se afastar, nunca mais deixa qualquer um outro entrar nesse jogo, além de nós dois.

- Mas o amor é simples, a gente é que complica.

-- A gente: eu e você ou a gente: o mundo inteiro.

- A gente.

-- Como assim?

- Quando eu te perguntei o dia, bastava que você dissesse a data de hoje. Simples. Não precisava que você revirasse o passado nem entrasse em explicações que acabaram por remexer em cicatrizes. Bastava que fosse a data de hoje e eu diria que era um ótimo dia pra desenharmos mais uma esquina e nos cruzarmos por lá. Mas no passado não há como interferir. Só no agora. Poderia ser simples como 1 + 1, mas a gente faz do amor uma equação com incógnitas demais para qualquer coração. Felizes são aqueles que não se preocupam em entender o que aconteceu, só continuam. Aprendem, não reviram mágoas. Se dão mais chances, acreditando no que foi bom. Seguem em frente, não supervalorizam dores.

-- E quem são essas pessoas?

- Por que não a gente? Ainda dá tempo, antes do precipício tem espaço para improvisarmos uma esquina e um encontro que não precisa acabar.

-- Esquece o que eu disse, hoje é dia de começar de novo. Eu e você. A gente. E só. Sem passado ou nenhuma outra pessoa. A gente. E nos bastamos.

Texto da Madrugada: 21/08/2011

19 agosto, 2011

.


Só uma coisa era fundamental (e dificílima): acreditar.

Dói. Se me perguntarem o que acontece, só saberei responder isso: dói. Se me perguntarem onde é a dor, ainda assim só responderei: dói. Tudo tem a ver com aquele grito reprimido, aquele sonho escondido, aquele choro nem sempre contido: dói. Aquela vontade de cortar a garganta para não poder gritar. Aquela vontade de arrancar os olhos só pra não poder ver. Aquela vontade de esmagar o coração só para não poder sentir. Mesmo com todas essas coisas incapacitadas ainda assim doeria. Porque não está na garganta, nos olhos, no coração. Está em toda parte (…)



/CaioF.

18 agosto, 2011

CFA.


Acho que sou bastante forte para sair de todas as situações em que entrei, embora tenha sido suficientemente fraco para entrar. Caio Fernando Abreu

15 agosto, 2011

Último sonho s2


"Poderíamos casar. Teríamos um apartamento, tomaríamos café as cinco da tarde, discordaríamos quanto a cor das cortinas, não arrumaríamos a cama diariamente, a geladeira seria repleta de congelados e coca-cola, o armário, de porcarias, adiaríamos o despertador umas trinta vezes, sentaríamos na sala de pijama e pantufas, sairíamos pra jantar em dia de chuva e chegariamos encharcados, nos beijaríamos no meio de alguma frase, você pegaria no sono com a mão no meu cabelo e eu, escutando sua respiração. Eu riria sem motivo e você perguntaria porque, eu não responderia, saberíamos."
Caio Fernando Abreu.

Foi no meio de todas aquelas brincadeiras que fui me apaixonando por ti e quando percebi, a paixão já havia me dominado e se tornado amor. (Último Sonho)

06 janeiro, 2011

. Então, 2011 *-*

Janeiro. Uma nova e longa estrada se estende diante de meus pés. Pelo retrovisor, avisto o que foi ficando: os erros, as impossibilidades e todas as esperas... Tudo o que foi deixado no ano velho. Acelero para os próximos 365 dias, sem pressa. Sinto-me pronta para encarar o novo ano e trilhar de novo alguns caminhos já conhecidos e outros que se abrirão sob meus pés. Estou em paz. Uma paz, branca e de todas as cores.

Com um otimismo à flor da pele, sinto que nenhum mal pode me atingir. O ano novo se inicia com um quê de felicidade, um quê de possibilidade e de concretude e, extasiado, vislumbra tudo como se pela primeira vez, encontrando possibilidades e novidades em cada detalhe. Eu me renovo e vejo renascer em mim todas as esperanças já perdidas, todos os sorrisos já esquecidos, todos os sonhos já deixados. Dentre as resoluções de ano novo, cuidar mais de mim, impulsionar o espírito e agraciar os olhos com lindas visões e novas paisagens. Viajar em boa companhia e desfrutar do amor aqui, ali ou em qualquer lugar. Quero a ansiedade que antecede as descobertas, deixando que o caminho me leve à novos banquetes de vento, resgatando, sempre e mais uma vez, a menina de dentes tortos e cabelos encaracolados que vive perdida dentro de mim. Que minha fé e minha força permitam que os desejos desse novo ano tomem conta do meu mundo interior e invadam todos os espaços, mantendo nossa casa e nossa vida iluminada até que o ano se renove em uma nova passagem. Paciência para compreender o que ainda é só sonho e persistência para realizar. Que consiga carregar sempre paz no coração e, quando não, que você me estenda os abraços e seu colo seja sempre meu abrigo. Mais que receber, quero me doar em todas as pequenas coisas, em cada detalhe. Ser feliz de pés descalços, de um jeito simples e pleno. E que minha felicidade seja tão plena, tão honesta e tão sincera que não mais me comporte e transborde em uma grande onda, encharcando meus amigos, minha família e meus amores.... diminuindo algumas distâncias, dividindo o que vier, sol ou chuva, e somando novas histórias... assim, construindo e desenhando este novo ano, feliz desde a sua concepção, desde o seu nascimento, desde o primeiro minuto e, espero, até o instante final, feliz.


Ps. Primeira Foto do ano, "primeiro" abraço do ano, foi com você Fê . s2
Obrigada por está aqui, te amo chará .


Beijos, me segue: www.twitter.com/JuuuhFe