
A tristeza me invadiu, dos meus olhos percorrem lágrimas que parecem não ter fim, e seu percurso é sempre familiar. Sinto-me como se fosse apenas mais um objeto da casa, que não respira, não ouve, e também nada sente, não vive.
Um objeto desnudo, sujo, sem valor nenhum a qual as pessoas passam despercebidas e sequer vêem a minha tristeza, a qual eu atrapalho-lhes o caminho.
Ninguém liga, ninguém sequer enxerga, mas essa dor me sufoca, esse choro me afoga em magoas profundas, sofro e mais e mais me afundo no silencio da tristeza, onde faz parte das minhas manhãs todos os dias.
Não sinto fome, apenas como para continuar respirando se é que alguma coisa isso me atribui, nada encontro que possa sanar-me a dor, a dor de tudo que com os passar dos dias mais sinto me apedrejar.
Parece-me que vivo para continuar machucando-me, dia após dia, minuto após minuto e assim toda vida...
A solidão dói, dói bastante, e a angústia corrói pouco á pouco o corpo que está engordando de tristeza... No rosto minha profunda palidez, sou como um fantasma.
Vago por essa casa escura arrastando-me, penso em todas as pessoas que amei e que perdi quanto mais às amava, mais as perdia rapidamente para a distância, morte, adeus ou para o esquecimento.
Cada um tem sua vida, ninguém se lembra desse coração solitário e doente que está morrendo aos poucos, que amou um dia, e hoje só sofre, e não crê mais nessa fantasia chamada “amor”, porque quanto mais achava amar mais me decepcionava.
A solidão machuca e torna-se doença. Sinto-me doente, debilitada, frágil como se aos poucos sentisse minha vida se aproximasse do fim, sinto que cada gripe ou um simples mal estar pode me degenerar por inteira, meu corpo não possui armas de defesa estou entrega aos que padecem como um pássaro sem ninho, doente, caído, morrendo...
Quem falar que nunca imaginou sua morte está mentindo, e eu a vejo a todo segundo que sinto meu ar ficar pouco e fino... Se alguém comparecer ao meu funeral poderá dizer: ''ela estava tão triste estes últimos dias'', ''morreu sozinha'' e suponho que alguém poderá pensar ''ela me amava!''
Mas e se eu morrer amanhã? Não tenho muito que deixar em vida, dinheiro não possuo uma moeda, talvez alguns poucos móveis de meu quarto, algumas roupas, alguns livros aos quais tem sido meus únicos e verdadeiros companheiros, companheiros de solidão... Talvez também alguns textos que escrevi poderão ser facilmente apagados do HD de meu computador, ou algum livro que tenha começado a escrever e não terminei, ou um diário que possa ser queimado, mas esse, esse diário é minha preciosidade e tenho certeza que ele deveria ser entregue a pessoa a qual as historias que nele tem pertencem: ao meu grande eterno amor... Tenho também minha almofada que me acompanhou “muito” tempo, sendo a mais fiel amiga e companheira que já tive em vida qual presenciou meus esboços de sorrisos e respeitou minhas lágrimas com seu silêncio sábio.
Triste sensação a de que tudo pode acabar amanhã...
A depressão é uma doença muito grave, que mata a quem ela se penetra aos poucos, um pouquinho por vez e sabe fazer da pior forma, ela domina a mente, o coração e o corpo.
Não sei como consigo escrever ainda, acho que é uma forma de desabafo, de saber que alguém ao longe pode lê-las um dia, quando talvez eu não exista mais.
Pouco saio à rua, se saio só por obrigações e tenho que disfarçar com forças que já não possuo. Sempre com um livro na bolsa, ou ouvindo músicas das quais já estou cansada, farta.
Uma sensação de cansaço me toma todos os dias, deito na cama e só quero dormir (mesmo que eu não consiga), pegar no sono flutuar em seu mundo e não mais acordar. Às vezes tenho insônia, vou para um canto donde a luz da lua bata nesta sala escura e leio, ou escrevo em algum canto escondido para que não me percebam chorando como faço agora.
Sonho há muito tempo com a felicidade que perdi que perdeu o caminho de volta pra mim e se esvai neste universo paralelo em que vivemos.
Vejo que as pessoas são egoístas, e eu sei que também sou, pois gostaria que se importassem comigo, com minha tristeza, que tentasse me ajudar, pois já não possuo forças pra continuar sozinha.
Tenho 22 anos e estou cansada da minha vida há muito tempo, vida? Se chama isso de v-i-d-a? Parece que pago uma divida eterna de erros que cometi ou que deixei de cometer.
Eu queria fazer tantas coisas mais, CASAR ter filhos, ser amada novamente, ter tudo isso com meu amado do lado, estar no parque juntinho vendo o nosso 'filho' correr por entre as árvores, estar o abarcado, ouvindo o coração do outro bater...
Destino maldito, maldito dom da escrita e de meus pensamentos que me rasgam o peito e fazem crescer em mim estes sentimentos absurdos!
Esses dias resolvi ir a igreja e me sentei lá, fiquei paralisada e fiquei pensando comigo mesma quanto tempo deixei isso de lado, fiquei chocada ao perceber que há muito tempo perdi minha fé, minha orações que desde pequena sou ensinada.
Creio que os anjos em outro plano espiritual devem ter observado com tristeza e pesar nos olhos pois nem eles puderam me ajudar.
Acho que se eu sumisse ninguém sentiria minha ausência, pois pareço não ser mais bem vinda aqui, entre os que não se importam com a dor que meus olhos pesados de uma noite mal dormida parecem retratar.
Magoa, é isso que sinto em minhas veias e artérias, não é sangue que por ali corre, é magoa que circula no meu corpo. Esse liquido gelado que paralisa aos poucos o pulsar de meu coração. Mãos tremulas com dedos grandes e finos escrevem sem medo sobre esses sentimentos de uma criatura que esta entregando sua vida, desistindo de sobreviver, negando-se de ainda lutar por este amor, pelo amor que outrora era meu, ou nunca foi meu.
Já não tenho mais vontade e nem forças de falar, cada dia é pior e o peito esta apertando cada vez mais, diminuindo o espaço que ocupa o meu coração, esmagando-o, prensando, acabando por depois matá-lo de vez.
Enquanto nada acontece fico olhando pela janela o céu ensolarado, que para mim não pode estar mais enegrecido, creio que devas chover.. e assim espero com solidão e tristeza no olhar, com a respiração entrecortada a ponto de quase parar.

