13 setembro, 2011

O amor e a menina.


Queria escrever mas nada saía. As palavras não obedeciam aos comandos e o coração continuava pesado com tudo o que sentia sozinho. Queria gritar mas estava rouca. Havia gritado amores e paixões aos quatro ventos e agora a voz não mais existia. Havia tentado amar de um jeito certo e acabara sobrando no final: com um adeus nunca dito, um amor nunca acabado e uma sede nunca saciada. A menina tinha sede de amor. Não conseguia entender como seu coração era capaz de desejar tanto algo que o dilacerava. Tentara esquecer. Tentara não pensar. Tentara fazer de conta que não sentia. Mas o amor não a deixava. Em todas as estradas, o amor parecia ser o local para onde ela sempre era conduzida. Em todas as paradas, todos os estágios, no frio da montanha ou no calor de uma praia: era o amor que sempre a encontrava. Quando chorava ou sorria, o amor. Quando escrevia, gritava, cantava, o amor. Era uma menina com um amor que não a largava. Um amor talvez não mais correspondido, mas crescente de forma louca, desobediente e avassaladora. Um amor agora já sem sentido, quase uma lembrança perdida num bilhete de gaveta pra uns, mas um anúncio enorme num outdoor para ela. Todos os dias lembrava dele. Todos os dias ansiava por ele. Todos os dias sonhava com ele. Com o amor e com ele. Com o dia em que o amor e ele se fundiram e vieram como um foguete invadir o país coração dela. Se agarrava a esperanças, incentivava todas as pequenas fagulhas de esperança que vez ou outra ameaçavam apagar. Se agarrava a palavras, construía pontes, portos e abrigos com elas. Se perdia em pensamentos, desejava que o amor fosse nele tão irresponsável quanto nela e que fizesse nascer impulsos que o levassem a largar tudo e saltar os abismos pra chegar até aqui. Até a esquina em que ela e o amor se escondem do mundo. A menina apenas espera. Com os braços abertos que vez em quando ameaçam doer, mas que ainda encontram paredes concretas onde podem se apoiar. A menina com o amor já sofreu demais, já chorou todo choro do mundo, já desejou ser imune à ele. Mas ela aprendeu que ele é maior. E que sempre vence. Ainda que demore, ainda que fique sufocado com tanta pedra, o amor vence. Ela o deixaria vencer enquanto vivesse. Enquanto respirasse, respiraria amor. Enquanto dançasse, dançaria amor. Enquanto escrevesse, sentisse e vivesse, seria amor, amor, amor.

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