
Vivia num tempo sem leis vigorantes.
Respiravam numa época onde zepelins eram helicópteros.
Jurava que minha faca nunca perderia o corte. Costumava ferir instantaneamente e agora nem me lembro quantas vezes tenho tentado lhe tirar uma única gota de sangue.
Minha sabedoria tinha um arquivo inconsciente sobre você. Autenticado em duas vias, esperando pela rubrica dos seus lábios inteligentes. Toda a burocracia que instalei me agradava gratuitamente. Mas agora eu te vejo jogando papéis importantes ao vento. Todas as suas reticências me tiraram do fã-clube do ponto final.
Eu não sabia do tamanho da sua importância. Ou pelo menos ignorava o fato.
“Eu não imaginava que estar no vagão da sua montanha-russa fosse exatamente tudo o que precisava pra me sentir feliz.” Escandalosamente feliz. Invejadamente feliz. Uma felicidade tão exagerada que poderia facilmente ser o oitavo pecado capital. (you know)
Eu lhe atiro flechas num olhar disfarçado.
As pegadas sumiram, meus passos não conhecem um caminho seguro na sua direção. Talvez porque sem riscos, não existam glória, nem recompensa.
As páginas de frases feitas estão ilegíveis. Nada que conheço parece funcionar, nenhuma medalha oferece algum respeito ou sabedoria.
E na outrora de sentimentos desconhecidos, os meus soldados procuravam por algo parecido.
E quantos ao todo eu poderia comandar?
Teria a ilusão como guarda-costas, e ego como assassino e o amor ficaria à paisana... Afinal, é mais cômodo e menos perigoso.
Desse quebra-cabeça eu só ignoro a paciência. A infinita cautela.
Pra que apenas me molhar quando posso ser mais um habitante de Atlântida?
Não tão distante do seu copo de vinho favorito, eu acordo pra lhe fazer dormir.
De todos os presentes que ganhei, o seu tem o laço mais bonito.
Eu tenho medo de abri-lo por completo e perder a “eterna surpresa” que sinto por você.
Se eu precisasse de uma única gota sua, esperaria o dilúvio todo.
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