17 setembro, 2011

Eu (...)


Ela não era complexa em demasia.
Um diamante lhe seria encantador, mas o ouro já valeria a pena.
O céu nunca foi o limite, apenas um trampolim para vôos mais arriscados.

E daí que seus olhos não sabiam ficar em silêncio?
Sempre a antecipavam. Sempre a levavam para a última página do seu livro misterioso.
E mesmo com eles fechados, seus gestos não sabiam esconder o que seu antigo órgão cardiovascular desejava.

Era uma estudiosa, uma amante das lágrimas salgadas que o amor lhe fazia saborear sempre que respirava.
Já habitou castelos sem ser convidada, replantou rosas arrancadas, assassinou seus melhores sentimentos para a felicidade de qualquer outro ser humano.

Parece que por mais que as datas não se repitam, ela continua andando na mesma velocidade que os sonhos levam para nascer e morrer.
Como dizem... ‘Do berço à sepultura’.

Era estranho como seu andar não deixava marcas iminentes em qualquer terreno.
As suas pegadas sempre foram emocionais. Ninguém poderia simplesmente desejar enxergar seus passos.
Era preciso alguma sabedoria, algum valor incrivelmente peculiar que prendesse seu olhar por mais de 5 segundos.

Ela descobriu que as noites não falavam sua língua.
Ela sabia que as primeiras horas de uma segunda-feira qualquer eram a melhor maneira de experimentar o seu ápice.

Das mãos que segurou, nunca duvidou da verdade.

Preferia a chuva.
Afinal, o sol queima os vampiros, e ela poderia amá-los um dia desses.

Sempre enxergava detalhes ocultos e os guardava para si.
Derrubava dos bolsos elogios intermináveis que as vezes a envergonhavam.
Sinceros demais?
Precisos demais?

Não. Apenas adequados e milimetricamente escolhidos.

Nem sempre nas horas corretas. Era comum unir o encanto com o desastre.
Ela sabia que a capa lhe dava o ar de heróina, mas tinha plena convicção de que precisava ser salva.
De si mesmo, das falsas histórias, dos lençóis com perfume demais.

A vida toda, tinha a própria imagem de companheira ideal.
Ou pelo menos, gostava de pensar assim.

Era tudo doce e lento demais. Talvez isso não fizesse seu coração entrar em forma.
Nunca estaria pronta para uma verdadeira tempestade, quando acontecesse.

‘Quantas histórias dentro de uma mesma música’, ela pensava.
E guardou sua gaveta de amores exterminados.
Ela não sabia como escondê-lo de si mesmo.
Talvez por medo de não saber rir de como era idiota.
Medo de não saber mais interpretar os papéis que lhe eram indicados pela vida.

Ninguém parou pra pensar que nas nossas vidas a maioria dos dias são rigorosamente iguais e sem surpresas maiores que festas surpresas?

Não. Ninguém. E nem ela.

Ela sabia que o amor não passava de um tapete mágico que sobrevoava as misérias humanas.

13 setembro, 2011

O amor e a menina.


Queria escrever mas nada saía. As palavras não obedeciam aos comandos e o coração continuava pesado com tudo o que sentia sozinho. Queria gritar mas estava rouca. Havia gritado amores e paixões aos quatro ventos e agora a voz não mais existia. Havia tentado amar de um jeito certo e acabara sobrando no final: com um adeus nunca dito, um amor nunca acabado e uma sede nunca saciada. A menina tinha sede de amor. Não conseguia entender como seu coração era capaz de desejar tanto algo que o dilacerava. Tentara esquecer. Tentara não pensar. Tentara fazer de conta que não sentia. Mas o amor não a deixava. Em todas as estradas, o amor parecia ser o local para onde ela sempre era conduzida. Em todas as paradas, todos os estágios, no frio da montanha ou no calor de uma praia: era o amor que sempre a encontrava. Quando chorava ou sorria, o amor. Quando escrevia, gritava, cantava, o amor. Era uma menina com um amor que não a largava. Um amor talvez não mais correspondido, mas crescente de forma louca, desobediente e avassaladora. Um amor agora já sem sentido, quase uma lembrança perdida num bilhete de gaveta pra uns, mas um anúncio enorme num outdoor para ela. Todos os dias lembrava dele. Todos os dias ansiava por ele. Todos os dias sonhava com ele. Com o amor e com ele. Com o dia em que o amor e ele se fundiram e vieram como um foguete invadir o país coração dela. Se agarrava a esperanças, incentivava todas as pequenas fagulhas de esperança que vez ou outra ameaçavam apagar. Se agarrava a palavras, construía pontes, portos e abrigos com elas. Se perdia em pensamentos, desejava que o amor fosse nele tão irresponsável quanto nela e que fizesse nascer impulsos que o levassem a largar tudo e saltar os abismos pra chegar até aqui. Até a esquina em que ela e o amor se escondem do mundo. A menina apenas espera. Com os braços abertos que vez em quando ameaçam doer, mas que ainda encontram paredes concretas onde podem se apoiar. A menina com o amor já sofreu demais, já chorou todo choro do mundo, já desejou ser imune à ele. Mas ela aprendeu que ele é maior. E que sempre vence. Ainda que demore, ainda que fique sufocado com tanta pedra, o amor vence. Ela o deixaria vencer enquanto vivesse. Enquanto respirasse, respiraria amor. Enquanto dançasse, dançaria amor. Enquanto escrevesse, sentisse e vivesse, seria amor, amor, amor.